Onde e como agem as principais espécies de nematoides

Onde e como agem as principais espécies de nematoides

* Editorial por Mayara da Silva e Daniela Sayuri Matunaga

Os nematoides tornaram-se, nos últimos anos, motivo de grande preocupação para a agricultura brasileira, seja pela sua ampla distribuição geográfica, pois ocorrem em praticamente todas as regiões de importância agrícola no país, mas, principalmente, pela grande capacidade de causar perdas de produtividade em culturas como soja, algodão, feijão, café, entre outras.

Atualmente, as principais espécies de nematoides que ocorrem no país, causando expressivas perdas econômicas, são os nematoides das galhas, Meloidogyne javanica (soja e milho) e M. incognita (soja, milho e algodão), o nematoide das lesões, Pratylenchus brachyurus (soja, milho e algodão), o nematoide de cisto da soja, Heterodera glycines (soja) e o nematoide reniforme, Rotylenchulus reniformis (soja e algodão).

A formação de galhas no sistema radicular facilita o diagnóstico desse grupo de nematoides. Estas são engrossamentos radiculares de tamanhos variados, nas quais estão alojadas de uma a dezenas de fêmeas sedentárias do nematoide e são parte integral da raiz, não sendo possível destacá-las sem ferir as raízes. Com a presença das galhas, o sistema radicular fica atrofiado e os vasos do xilema ficam comprimidos, causando uma desorganização do cilindro vascular. Além da intensa formação de galhas, pode-se notar alta emissão de raízes secundárias.

Na parte aérea, observa-se crescimento lento e desigual, com enfezamento das plantas, principalmente na parte central das reboleiras (Figura 1B). Também ocorre desequilíbrio nutricional, expresso por clorose leve a intensa e necrose entre as nervuras, além de murcha de plantas durante o período mais quente do dia, declínio lento, queda prematura de folhas e, consequentemente, queda na produção. Os sintomas podem variar de acordo com os níveis populacionais ocorrentes no solo no momento do plantio, das cultivares e do manejo fitotécnico adotado.

O ciclo de vida das espécies de Meloidogyne tem início com os ovos, que são depositados pela fêmea em uma matriz gelatinosa, a qual os mantém agregados. A massa de ovos pode conter de 500 até 2.000 ovos, dependendo da planta, temperatura, umidade e tipo de solo. Geralmente, em condições de temperatura variando de 25 a 30 ºC, seu ciclo, assim como dos demais nematoides citados, se completa em cerca de 30 dias, sendo que várias gerações podem ser formadas em apenas um ciclo produtivo.

Ao contrário dos nematoides das galhas, P. brachyurus causa extensivas lesões necróticas nas raízes (Figura 2), que não é um sintoma característico do nematoide, podendo ser ocasionado por vários outros patógenos ou por deficiência nutricional e hídrica, dificultando o diagnóstico da espécie.

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Figura 2 - Lesões radiculares causadas por Pratylenchus brachyurus em algodoeiro.

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Por ser migrador, penetra o sistema radicular, movimentando-se entre e dentro das células, causando destruição destas e, com o consumo do conteúdo celular, em conjunto com a liberação de toxinas, tem-se a expressão de sintomas na forma de lesões radiculares.

Também se associa a este grupo de nematoides a redução do porte de plantas. No Centro-Oeste, são relatadas perdas atribuídas a P. brachyurus da ordem de até 50% na produção da soja em áreas infestadas. A ausência de cultivares resistentes a P. brachyurus disponíveis no mercado tem comprometido os avanços em relação ao seu manejo e explica a relevância desse nematoide no cenário atual.

Assim como para P. brachyurus, raízes de plantas atacadas pelo nematoide

O nematoide reniforme é mais importante em algodão do que em soja, já que os danos em algodão são mais acentuados, mas a soja, por ser boa hospedeira do nematoide, permite seu incremento populacional nas áreas infestadas. Sua presença é detectada especialmente em solos com elevados teores de silte. Além disso, é uma espécie que se caracteriza pela alta capacidade de sobrevivência no solo na ausência de plantas suscetíveis, mesmo em solos muito secos. É um nematoide sedentário, semi-endoparasita, cujas fêmeas permanecem com parte do corpo externa às raízes, sendo possível sua visualização em condições de campo (Figura 3B).

O nematoide do cisto da soja está presente em 35% das áreas produtoras de soja no Mato Grosso, sendo uma espécie considerada altamente agressiva e que, quando em alta população na presença de um hospedeiro suscetível, pode causar até 100% de perdas na lavoura. É caracterizado pela formação de cistos, que são estruturas de resistência formadas pelo próprio corpo das fêmeas que, encistados, são altamente resistentes às condições adversas do ambiente e podem conter até 300 ovos em seu interior. Outra característica desse nematoide é a presença de raças fisiológicas. Atualmente, a raça que está mais disseminada na região Centro-Oeste é a 4, estando presente em cerca de 40-50% das amostras analisadas, contrariamente ao panorama anterior, em que a raça 3 era historicamente a de maior proporção, e hoje deixou de ser a mais importante, dando lugar às raças 4, 2 e 14 nessa região de cultivo, o que dificulta o manejo com cultivares resistentes, uma vez que a maioria das cultivares apresentam resistência à raça 3. Em decorrência do ataque do nematoide de cisto, as raízes ficam ineficientes na absorção de água e nutrientes, com sintomas na parte aérea marcados pela presença de plantas com intenso amarelecimento e subdesenvolvidas, sendo que, em áreas altamente infestadas, pode ocorrer a morte prematura das plantas.

Apesar de alguns sintomas causadas por nematoides serem específicos, a melhor forma de identificar o problema ainda é a amostragem da área suspeita e envio das amostras a laboratório especializado para identificação e quantificação da(s) espécie(s) presente(s) na área. Mesmo em se tratando de Meloidogyne sp., cujas galhas radiculares são bastante típicas, a análise é necessária para a identificação da espécie de nematoide das galhas presente na área, uma vez que o manejo entre as diferentes espécies pode variar. Sem uma correta identificação de qual ou quais espécies de nematoides estão presentes na lavoura, qualquer medida de manejo a ser adotada pode ser inviabilizada ou mesmo pode-se agravar o problema, caso adote-se medida não recomendada para cada caso específico.

* Mayara da Silva e Daniela Sayuri Matunaga, especialistas em nematologia, pertencem ao laboratório Agronema, parceiro homologado da Biotrop para a realização de análises laboratoriais de raiz e solo. Artigo escrito com exclusividade para a parceria.

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